sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Então...


Então pegue sua mochila e comece a colorir o tempo dos seus sonhos...
Pegue sua mochila e construa seu templo...
Olhe as coisas ao redor,olhe como o tempo se arrasta para ver o sorriso...

Enquanto o dia ainda é cinza,existe uma escada.
E quando faltar luz,espalhe seu vermelho.
Não tenha medo...

Respire,imagine,toque o oceano...Deite na areia e se sinta ali...
Sendo milagre,sendo mistério.
Não tenha algemas na alma...
Você é um pássaro agora,
E não existe asas que se adaptem ao chão.
Descubra sua vida como parte de você...
Descubra por você,por mim,descubra por todos...
Não é necessário avião para tocar no céu.
Descubra seu sorriso,descubra pelo quê,sua vida vale a pena...
Pegue seu violão e desenhe uma canção...
No chão,as flores pulsam agora...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Soluços

Cheiros e cores... E essas paredes guardando segredos manchados pelas tintas dos momentos.Letras,versos,músicas e esse silêncio.Há mais de mim nelas que em mim. Tantas lágrimas e quanta esperança lavam esses azulejos... E esses cd´s arranhados...sempre estive mais ali do que em qualquer canto que esses passos distantes me levaram.Se eu fechar meus olhos,posso escutar os sussurros desse canto,que foi de tantos “meus”que me conhece,mesmo desconhecendo na maior parte do tempo. Quem sou eu, o que eu fiz de mim?Porque sorrir?E esse clima morno, morto, estável, detesta quando me sinto bem, não sou eu mesmo estando aqui. Por trás de todos esses sorrisos,as lágrimas.Lágrimas que me marcam e me dizem que sou eu que estou aqui,mesmo refletindo tantas faces...Eu tenho que morrer para ir em frente,eu não pertenço a esse mundo,eu não pertenço ao tudo bem,ao prático...Porque isso...não sou eu.E se não me vejo,deixa de existir todas as horas .
Confesso, Confusão confessa... controvérsia.
Dê-me um pouco de mim, um punhado só... Um gole vazio já serve,só para sentir nos lábios o gosto de minha própria língua.Me dê um pouco de mim,qualquer suspiro basta,nem que seja uma visão obscura,qualquer lágrima serve...Só para sentir meu corpo em mim.Me dê motivos para te odiar só por um instante,só para sentir um pouco de mim que conheço em ti.Me dê um trago de saudade,um ponta só,que seja inebriante para que eu sinta meus pés descalços tocando o teto,no meu redemoinho,no meu furacão de lições vazias.Me deixe falar sozinha e resmungar qualquer refrão ordinário de um bolero Burguês...Me deixe te amar outra vez e só um pouco,permita que eu puxe seu cabelo de vem em quando...Deixe que eu fale palavrões,palavras ordinárias de um reprise mal feito...Me deixe ver a sombra de mim...quem sabe,assim,me reencontro.
Não preciso amadurecer, eu não combino com o verde. A faculdade é um asilo de retardados,eu gosto das minhas unhas...E quero arranhar meu rosto todos os dias,para tirar esse sorriso vazio,falso,vergonhoso...Maldito.Não preciso de méritos para ser boa,nem de façanhas para ser má...Preciso de tinta e papel...Domino reis em um traço e mato mocinhos com um ponto.Entre virgulas inexpressivas tento me colocar.
Entendi errado o que era ser humilde,não preciso deixar de existir para não magoar...Eu mudo de direção ...O ridículo de ler o manual de instruções é aprender a montar e desmontar encaixes pateticamente [in]perfeitos.

*”A mentira que vai te alcançar,as coisas que o dinheiro não pode comprar...Aonde quer que eu vá,levo você no olhar.”

*Trecho de alguma canção
Desconheço bem, aquilo de que falo tanto. Olhos as migalhas dos passos,poeiras de mundos contraditórios e nunca existentes.Escrever para brincar de viver,e quem tem medo de viver...Senta,sente,conversa.Não tenho o que dizer,me sinto insignificante e não quero que deixe de ser assim...Sou rei na minha terra,mesmo não sabendo nada de mim.Mudei as cores,fiz poses,criei histórias,encontrei alguém...Fiz de tudo,nessa busca infernal de se reconhecer...E foi assim que me perdi,do pouco que achei em existir.Caixas vazias,letras me contornando.Prefiro o diálogo mudo,as vozes me deixam tontas...Preciso de tempo para respirar,tempo para pensar,tempo para pulsar...Preciso me sentir.Procurei nas coisas que desconheço,qualquer verdade para sentir.Descobri corpos e movimentos,cobri de vermelho os lábios descolorados,senti perfumes,me perdi em toques,afoguei todos os momentos eternizando em letras,como fotos de um lugar que se marca para nunca existir ali...Ou como uma melodia,vagando e escrevendo para dizer que estamos firmes ao mundo de invenções que meus olhos registram nesses momentos.Eu não preciso de nada,basta olhar distante,por cima do muro...Todos os muros .Todos os mundo idiotas bem guardados,somem agora e fica...Eu,meu dragão,lápis coloridos sobre folhas negras e uma caixinha de música antiga.
Meus olhos manchados,nunca dizem a verdade.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Inconstante

A manhã começava agitada.

Apitos, confetes, máscaras, serpentinas...

Tudo se torna mais fácil quando estamos nos escondendo.É uma posição natural,traço dos Mamíferos.Somos protecionistas,é instinto proteger o que é nosso,como o tesouro mais sagrado,nossos medos,nossas crenças,nossos planos e o destino de nossas mochilas.Andei lá fora,sentindo o vento da manhã que,em minha opinião,é o mais delicado,deve ser por isso que as flores são tão lindas.Senti a terra sob meus pés e imaginei a força que Ela exerce sob meus passos.Uma vida dentro da vida.É assim que imagino a minha.Senti que retrocedia o tempo,parei onde era eu,apenas algo em uma bolha d’água.Pude ouvir tão claramente o coração da minha mãe,eu sabia onde estava seus segredos,eu soube onde estavam suas dores.Toquei minha nuca e me senti ali,em cima do muro das verdades,a natureza nua do ser humano me fascina,me comove,me atormenta.Olhei a árvore e percebi que algumas flores estavam murchando,e outras nascendo.Imaginei como funciona o segredo ali,a grande árvore conhece todo o ciclo,é o milagre.Enquanto as flores colorem e encantam sua vida,enquanto as flores choram e cantam,enquanto elas tocam o vento e sentem como se fosse a primeira vez que estivessem ali,Ela,a árvore conhece tão bem o destino de cada uma,assim como suas falhas.Ainda acredito que flores e folhas se vão quando decidem ir e isso não torna a árvore menos mística,ao contrário,Ela me torna parte do Mistério.

Possibilidades...

Lembrei-me que você lida com anagramas, talvez sejam sim, os números um dos segredos do universo. Eles provam que tudo é infinito.Respirei fundo,ainda com as mãos sobre a nuca.Ouvi meu cachorro latir,e lembrei que seres precisam de alimentos,e nós,não somos tão diferentes assim...

Lucky

Resgatar canções antigas é um modo de contemplar o que se é, se foi, pode vir a ser. É como saudar todas as primaveras que se arrastaram até aqui e sentiram tudo o que você sente.É bonito imaginar que a dor é solidária,que talvez sentir e sonhar ainda faça sentido.Minhas anarquias estão frágeis e minhas crenças apagaram-se como borrões de tinta fresca em páginas umedecidas por reflexos instáveis quando se escreve sobre seus próprios retratos.Ainda acho fascinante a idéia de comprimir sensações e vidas em palavras.Espero conseguir,um dia.Algumas pessoas desenham,outras conversam,outras pintam...ainda acredito que o trabalho mais bonito é o essencial,o que fala por si e por suas vontades,os trabalhos anônimos de pessoas inspiradas.Apesar de ser implicada com pessoas,analisando agora,percebo que elas também podem ser bonitas,a individualidade também me cativa,me comove e me move em direção a mim.Ainda acredito que devo fechar meus olhos e me atirar na chuva,só eu sei o que gotas vindas das estrelas provocam em minha alma.A noite é silenciosa apesar dos gritos aqui dentro,apesar da vida lá fora...o que aprendo com isso?A respeitar outros mundos.
O silêncio permite afagar a alma. Não faço promessas, mas me lembrei de não buscar emoções passadas para deslizar lágrimas pelo rosto. Embora sinta saudades de chorar,nessa madrugada,em especial.A maioria do tempo eu penso sobre tudo,sobre todos,imparcialmente.Imagino coisas e destruo pontes que eu tanto teimo em construir,na maior parte do tempo que dedico a cuidar dos problemas de outrem.Gosto de escutar as pessoas,embora isso te deixe sem argumentos ou respostas apropriadas.Eu sei que conheci minha dor e ela não era feia.Era uma dor de aura pura...Quando se olha nos olhos do desespero,muitas coisas deixam de ser importantes.Sim,somos narcisista,gostamos de olhar para dentro e exibir o que temos de melhor.Exponho aqui,todos os lados que percebo,todos os papéis que ocupo,eu sigo em frente e recuo...
”Dois passos para frente, três para trás”.
Lembro do seu sorriso quando me disse... ”É simples,basta andar de costas nos 3 passos importantes e olhar o caminho nos dois passos conseqüentes,mesmo recuando você vai em frente”.
Eu detesto quando você tem razão... Eu gosto de ser cabeça dura.E gosto de te morder.
Algumas músicas que conheci ontem perdem o encanto hoje, talvez seja assim, músicas são reflexos do que se sente. Não quero sentir mais que dor,hoje.Mas a dor conhecida,aquela que afaga meus cabelos,fazendo dos sonhos,canções de ninar desconhecidas,porém bonitas.O caminho novo é sempre bonito,ele possui cores novas.Preciso aprender a olhar as cores em movimento,acho que pela primeira vez,preciso dar um passo em direção ao país das flores.País que não deixa de ter espinhos ou deslizes,mas um país feito de promessas,vale a pena caminhar quando se tem onde ou para quem chegar.
Acredito...

Sonhos e folia

Embora eu fosse dormir, a folia continuaria... Não sei onde ela seria mais barulhenta, se dentro ou fora de mim. Observei se as portas e janelas estavam fechadas, não sei se queria proteger a casa ou trancafiar a mim. Deitei,embora a vida pulsasse,controlei e ordenei meus pensamentos. Imaginei diálogos, conheci pessoas, que talvez, naquele instante, representasse a mim. Tive sonhos escuros,sombras envolventes,lugares úmidos.Sentia ao sonhar,que meu ser se esgotaria ali.Caí em sono profundo,o breu é reconfortante,ele me esconde de mim.Acordei em plena madrugada,retirei seu braço de minha barriga.Caminhei lentamente pela casa,abri a porta dos fundos e cheguei a varanda.Chovia suavemente,levantei os braços em sinal de respeito ao equilíbrio,abaixei a nuca e senti as finas “faíscas”de água tocarem minha pele,meu cachorro latiu.Ele tinha algo nos olhos amendoados,senti que ele conseguia ver minha alma despida,ali.Levei as mãos na nuca,saudei os elementais e voltei para a cozinha.Analisei a estrutura de uma semente de pêssego,existem detalhes estranhos até mesmo nas coisas que gostamos.Sentei na frente do computador,meu confidente.Tentei escrever alguma coisa ali,mas tudo girava no antes,no que me levara a estar ali.Ouvi seus passos em direção a sala,abaixei a música e tentei me concentrar em algo superficial.Não quero,hoje em particular,que você saiba sobre mim.Algumas coisas suas me lembram música.Seus passos embriagados de sono,são engraçados.Me pergunto como pode sentir falta de mim,até nessas horas.Sentir falta de um corpo inanimado,refletindo e flutuando no silêncio dos deuses,um corpo que é templo das mais tempestuosas emoções,um corpo que não se deixa conhecer,um palco para uma mente compulsiva,apaixonada por letras,cores,cheiros,tecidos,estações e detalhes.Sorri.”Você é mesmo um grande homem”,pensei.Fingi que não vi você me olhar,com uma expressão mista de sono e ternura,afastei o corpo para o meio do sofá e deixei que você sentasse ali,comigo.Nesse momento,embora queira estar só,eu gosto da sua companhia,eu gosto do seu silêncio e gosto do seu olhar.Senti seus braços sobre minha barriga e seu queixo apoiado em minhas costas.Continuei a escrever,fazendo inexistente detalhes que preencheriam minhas folhas,mais tarde.
Você não vem dormir, moça? Sua voz ecoava em mim.
Daqui a pouco, meu anjo!Respondi. Embora a minha vontade fosse de te mostrar a língua e fazer você sorrir.
Deixei você adormecer ali, aqui, tão próximo que me senti em ti.E continuei escrevendo.
Não sei o que consegui dizer, nem sobre mim, nem sobre você, nem sobre meu teatro egocêntrico. Sei que gostei de ver você dormir,tentando me proteger de mim.Lembrei da sua proposta sobre o casamento,me senti feliz pelo que respondi.Embora,ainda tendo tempo e planos inacabados,gosto de te imaginar me esperando.Sem cavalo branco ou monstros em um castelo,mas ali.Olhando para mim e pintando a parede de vermelho.Talvez seja bonito terminar um capítulo assim,com sangue sintético abrigando um quadro abstrato e uma escrivaninha.Talvez a vida calma,também valha a pena.
Beijei sua mão,te acomodei no sofá, e voltei ao quarto, onde consegui suavemente adormecer.