domingo, 20 de junho de 2010




Era só conversa,só sorrisos manhosos esperando a hora de abocanhar a tua boca e fazê-la minha.Era só arrepio,revelando em sussurros,em palavras,era só a dança.Era só a noite que desapontava lá fora,éramos nós dois,ali.Dois corpos embalados ao infinito,dançando sob a meia lua.Eram só sorrisos,só mordidas,esperando...A hora de abocanhar a tua boca e fazê -la minha.
Era só manha,que fugia dos teus carinhos,era só birra,dissolvendo no seu pulso forte,no seu cheiro,no seu suor.
Era tempo mudo,era noite nova.Era a tua boca conversando com a minha,revelando os segredos das nossas almas nuas,nossas,tuas e minhas.
Só nós dois ali aguardando o sinal do outro,o sim das tuas mãos sob o meu corpo.Só nós dois ali,esperando a manha do outro se desdobrar e abocanhar,a boca um do outro.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Gravitropismo positivo




“É na verdade, como uma doença,como se eu fosse obrigada desde antes de mim,a sentir com Ella sente, a me preocupar com o que ela se importa...compartilhar da mesma doença e destruir a mesma visão de um tempo bom.É como se eu me obrigasse à persistir em 18 infernos,reprisando,para compartilhar de um verão bom.O que eu não percebo é que no mesmo momento em que solto minhas mãos,aperto meus pés.Talvez eu não saiba o que é ser livre...talvez eu nunca seja,de verdade...Eu sinto que estou doente e é na minha mente que esse teatro ganha vida.”

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Casulo




Eu posso ver os anos em dias,eu sinto todas as estações aqui dentro,
mas hoje eu acordei mais calma,e cumprimentei o dia.E ele sussurrou:
"Resista mais um pouco,a rachadura vai ceder.
Não é tão grande aqui.E você não é mais tão pequena,meu amor".
Eu comentei esse ciclo,e ele me falou sobre as cores que fluatavam ao meu lado.
E eu falei sobre não fugir...Sobre rachar aos poucos,indo e vindo...
Até me sentir segura.
Eu vi as cores e eu gosto do cinza.
Então eu vou rachando,aos poucos.
Até me sentir segura.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Vaga


Minha ampulheta de extremos foi silenciada pelo barulho da memória nos meus cabelos

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dormente

Olhando poeira no feixe de luz.."Como o pequeno ocupa tanto espaço nas nossas mentes?"
Eu tentei ser um ponto,um padrão,um molde.Eu sustentei por muito tempo aquilo que eu precisava ser,para não ficar louca.Para fechar meus olhos,sem barulhos
Acreditei,por muito tempo,que eu era alguém,que eu não estava ali,eu fingia não ver que eu não controlo nada.
E hoje,eu só preciso ouvir sua voz para me machucar mais um pouquinho.
Eu não vou desistir,só porque as ruas lá fora amanheceram com uma nova cor.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Parando o tempo para observar o muito do pouco que me preenche
Emoções bem guardadas em fitas de DNA
Expectativas antigas impressas em rochas frágeis,lembranças que dobram o tempo em móleculas.
Da simplicidade ao caos,a orgiem,dentro e o presente
O ponto vago de uma existência que se prende à unidade
Uma bolha suspensa,a respiração do infinito que não começa e nem aqui termina.
Mudando tudo de espaço,desconfigurando e desorientando a imagem,
Macacos estácionários.
E não entendemos que a ordem do tempo é anarquia,que nosso limite é a expansão.
Sentindo,preenchendo minhas células do pouco que conheço.
Em silêncio,olhando para o céu e sentindo a grama,eu não pertenço a uma nação,eu não pertenço à uma origem nem me consumo em tempo,espaço e relatividade.
Nem minha alma é ligada à fios fotossíntéticos.
Eu não tenho uma respota,e isso não me torna vago.
Me eleva!

domingo, 25 de abril de 2010

Cinza bucólico





O sol não brilha mais,se esconde.Ele tem medo da sua própria luminosidade.
E a noite,em seu explendor inova.E não teme.Pois só ela conhece o que não vemos.
E os homens,andam sem tempo,vagando destrambelhados de um lado para outro.
Como lunáticos,procurando luz,numa selva fria,cinza,de pedra.
E eu,sabendo de todas essas coisas,prefiro o silêncio.
Ancorada numa gaiola de ouro sem fecho,sentindo as trevas tomando conta de tudo ao
redor.E reconhecendo,em mim,o caminho do sol.